5/15/18

Não troquem os nossos bebés!



Já sabíamos que Keanu Reeves é imortal. Está na internet, logo é verdade. Uma das provas é esta pintura de Paul Mounet, médico e actor. Alegadamente morto em 1922, o corpo nunca foi encontrado. O que não sabíamos é que agentes ao serviço do Estado Português andam a trocar bebés nas maternidades! Penso que o mentor desta tese, Luís Pedro Gonçalves, viu aquele anúncio de TV ," um loiro de carapinha e um preto de cabelos louros, não é natural", ficou a matutar no caso e vai daí engendrou uma coisa um pouco mais científica, enquanto estava na Assembleia Municipal a ouvir discurso, uma cena mais assim: dois pais morenos não podem gerar um bebé louro, e dois louros não podem gerar bebés morenos. Isso não é natural. "Se o tom de pele da criança é mais claro ou mais escuro que o dos progenitores, então certamente houve troca. Se um filho não é parecido aos seus pais ou se dois irmãos têm tons de pele claramente distintos é porque há troca de bebés nas maternidades." E ainda: " Dois pais de baixa estatura não gerarão um filho de elevada estatura.” Por vezes também eu tenho assim como que "chispas científicas". Uma vez no almoço do Dia da Mãe, num em que ela contava do seu breve namoro com um matemático, enciumando o meu pai até ao tutano, exclamei: ´"Ó mãe, mas que pena isso não ter dado nada! Gostava tanto de ter queda para os números! " 

Tenho para mim que o pobre Luis está apenas traumatizado porque não é parecido com os progenitores. Mas era preciso desconfiar que foi trocado e fazer disso uma tese parva?! Na situação dele eu pensaria antes em amores clandestinos. Mas o Luis prefere coisas menos carnais e mais grandiosas, conspirações do intelecto, já que ninguém mais leva a sério a abdução por extra-terrestres, pelo menos desde que o último barco desapareceu no triângulo das Bermudas. Resumindo: para o Luis, entre familiares tem de existir semelhança física. Ó diabo! E se um dia me cruzo com o Luís e ele me acha parecida com ele, logo potencialmente sua mãe?! Onde fica o Seixal? É território a evitar! 

E ficamos assim conversados: caso já tenham visto todos os episódios dos X-Files, incluindo a seca que são os mais recentes, podem considerar que têm formação suficiente para se juntarem ao Luís Pedro Gonçalves e à sua selecta "equipa". Ontem um movimento, hoje uma obscura organização não governamental onde todos trabalham pro bono, nesta inquietante cruzada de questionamento e denúncia, sob o lema:"Não troquem os nossos bebés!" Ao menos o Luis, apesar de estar na política, não quer o nosso dinheiro, talvez por desconfiar que ficaria a chuchar no dedo. O que o Luis quer é que façamos figuras tristes pro bono: pagamos uns cartazes que depois poderemos afixar por aí numa das muitas rotundas de Portugal e arredores e, quem sabe, fruto de algum milagre até talvez conseguíssemos obter uma bolsa para investigar o porquê destas trocas, pois o Luis não sabe dizer. Esta é capaz de ser a melhor mentira do primeiro de Abril em que ainda ninguém tinha pensado. E é notícia porque o mundo é mesmo um lugar estranho.

A cabeça do Luís Pedro Gonçalves não vai aguentar tanta informação! 
Um casal moreno, duas gémeas, uma loura e outra morena. Outch!

É notícia, aqui.

5/5/18

Manda nudes

No fim-de-semana passado encontrei-me com uma amiga que já não via desde o Outono, mês em que cessou a minha vontade de ter um corpo de praia. O plano era fazer um jogging tranquilo e meter a conversa em dia. Descobri que estava vexadíssima porque tinha descoberto que a filha mais nova, adolescente, guardava no telemóvel as fotografias das pilas da maioria dos colegas da turma. Contou-me da ignomínia mesmo antes de termos dado início à marcha, alternando olhos arregalados e mãos em livro aberto sobre a face envergonhada. Um drama. Logo após dois beijos e um abraço, e uma avaliação sumária à medida da minha cintura e coxas, explicou-me a Deolinda de como a filha, a quem pedira para ir comprar ração para o cão, lhe tinha passado o telemóvel para a mão para que ela fotografasse a saca que devia comprar. A falta de jeito, mais do que tudo, fizera-a abrir a galeria de fotos sem perceber bem como. O dedo ficou subitamente frenético, a sua estupefação não parava de crescer enquanto dedilhava o ecrã táctil e os falos juvenis se perfilavam ante si, um após outro. Perplexa, constatou que a Mónica não se preocupou nada com o facto de ter sido apanhada com uma colecção de pilas dos colegas no aparelho mas já ficou num pranto quando a mãe lhe pediu que apagasse a galeria de cromos. Disse-lhe a filha, com a maior cara de pau, que contava completar a caderneta até ao final do ano lectivo. Parece que havia um despique qualquer entre ela e uma colega de turma. Ela estava a ganhar. Deolinda, a minha amiga engenheira civil, uma senhora de esmerada educação e fundação moral, nem teve coragem de perguntar por detalhes do torneio. Não teve mais contemplações e mandou-a fazer depilação completa. Ou ela eliminava todas as pilas ou ficava sem o telemóvel. A miúda implorou perdão de joelhos rasos no chão e mãos ao alto, feita uma Jacinta de Fátima, mas a mãe, que não é dada a demonstrações de fé, manteve erecta a sua sentença: depilação, já. A Deolinda diz que nunca contou mas que julga até provável não ter visto semelhante diversidade de pilas em toda a sua vida, nem mesmo se contar as que viu em alguns poucos filmes porno italianos, bem antigos. Neste momento interroguei-me se não estava a lamentar-se. – Sou doutra era. Quando era adolescente as pilas minhas conhecidas não circulavam de telemóvel em telemóvel, em fotografias, aliás, as pilas adolescentes levavam uma existência discreta. Se alguma emergia da obscuridade era porque a dita pila aspirava a caso mais sério com algum pipi. Belinha, mas isto é o queeeeeeeeê? Autoporno juvenil? Eles são ainda menores! A Deolinda, agora bem afogueada, não me deixava responder, continuando a elaborar sobre pilas e pipis, e estava quase sem fôlego quando iniciámos a segunda volta ao parque verde ensolarado. Inspirei e disse-lhe que tivesse calma, que essas fotos são mera moeda de troca de alguma coisa: Likes, popularidade entre os colegas, ou então ocorrem dentro de um namoro. – Sabes, os jovens agora vivem online enquanto nós apenas pudemos viver a nossa juventude no mundo real. Ora, Deolinda, é mais um jogo sexual da fase de descoberta do sexo, uma coisa que sempre aconteceu na adolescência. Ou mesmo uma prova de cumplicidade e intimidade. Acaba por ser algo natural ligado ao seu desenvolvimento, – dizia eu, convictamente, armada em psicóloga de corrida, e acelerando o passo para forçar a Deolinda, que veste dois números acima do meu, a ficar calada por mais do que três passadas. – Deolinda, é uma forma dos adolescentes serem sexualmente expressivos, de revelarem aspectos exibicionistas da sua personalidade erótica. O que não quer dizer que todos tenham maturidade para saber o que estão a fazer e alcançar os riscos reais desse comportamento. A minha amiga Deolinda não deve ter apreciado a minha relaxada análise psicológica ou, então, conforme a minha manha, já não conseguia fazer jogging e falar ao mesmo tempo. Completamos a terceira volta de forma silenciosa, os rostos brilhantes de suor, e subitamente ela disse-me que precisava de ir hidratar, se eu me importava. Despediu-se sem beijos nem abraços e sem me tirar mais medidas. Afastou-se a atalhar pela relva, resoluta mas lentamente, em direcção ao estacionamento. Foi o mais breve jogging que partilhamos até à data. À noite liguei-me ao Facebook e estava na conversa com um conhecido virtual quando do nada ele me perguntou se o queria ver nu. Na foto de perfil, um mutante super-herói, ele tinha-se recentemente substituido pelo Fassbender no papel de Magneto. Respondi que não era necessário, que já o tinha visto nu no filme Shame. Mas o quarentão não se coibiu de me enviar uma “paufie”, sejamos precisos, era realmente uma foto de corpo inteiro, a cabeça tinha sido cortada, enfim, uma coisa mal amanhada, sem pose nem ângulo estudado, ou luz adequada a uma exibição condigna da sua nudez. E o pau, pendendo a meio desse corpo sem cabeça, digamos que parecia um pouco perdido nesse anonimato, triste e inexpressivo, podia pertencer tanto ao meu interlocutor quanto a fotografia do Fassbender como Magneto lhe pertencia. – Ficas muito diferente sem o capacete, Magneto – teclei eu. – Não percebo porque me envias esta foto. Sabes que o mundo está cheio de homens nus por debaixo da roupa, não é assim tão invulgar. Olha, não sei se deva agradecer por algo que não pedi? Não recebi explicações. Continuámos a conversar sobre cinema por uma boa meia hora e depois fomos à nossa vida. Quando encerrei a sessão no computador escrevinhei rapidamente um post-it mental: N. B. Nunca dizer à Deolinda da minha colecção de “paufies”. Coisas reais há que não devem ser vazadas na internet, outras, virtuais, não devem sê-lo na vida real. É tudo uma questão de jogo.

4/10/18

Felicidade. Procura-se.


4/8/18

Canções favoritas a vencer o Eurofestival 2018


Andava eu pelo YT a ouvir coisas de que já ninguém se lembra e encontrei este video, um countdown das canções favoritas a vencer o Eurofestival. Acompanhem e digam de vossa justiça. Na 10ª posição, a França diz Merci mesmo antes de ter ganho, e eu já aprendi o refrão; na 9ª posição está a Fergie tal e qual como quando cantou Party People, aqui sem o Nelly mas com muitos Monsters, e representa a Finlândia; na 8ª posição, o gémeo cabeludo do Ed Sheeran é quem vai representar a Alemanha; na 7ª a Bulgária manda Ossos e a sua SIA, the greatest; na 6ª posição temos o Alexander Rybak que regressa, com o seu violino que já lhe ganhou isto uma vez, mas desta vez já não vamos na cantiga; na 5ª posição é apenas uma questão de tempo até reconhecermos a Alanis Morissette e as suas longas guedelhas; na 4ª posição temos uma espécie de Charlie Puth, em versão camelo, a pedir-nos toda a nossa atenção; na 3ª posição é a Espanha e não comento a prestação de nuestros hermanos pois eles vão ser os únicos a dar-nos 12 points, mas parece ser um Perdoname, sem a Carminho; na 2ª posição temos a Estónia com uma Amy Lee de voz bem aquecida a cantar qualquer coisa inspirada em Flower Duets, do Delibes...e na 1ª posição, a favorita, é a irmã israelita do conhecido actor americano Jack Black, a fazer de galinha. Ainda há bilhetes à venda em Guimarães? Alguém pode emprestar-me um se não houver? Eu digitalizo e faço um plágio dele, o que quer que isso seja, eu já não sei.
















  

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